13 Julho 2009
Basta !
"Durante o inquérito, leram e ouviram descrições de como os politicamente poderosos obtiveram lucros espantosos em situações questionáveis. Dos juros de cento e muitos por cento que o professor Cavaco Silva e família receberam às empresas falidas compradas por Dias Loureiro por milhões que desapareciam das contas em vendas fantasma. A fiscalização deste mercado de loucos estava (está) entregue a um alto quadro socialista. O Partido Socialista concluiu agora, quatro meses e dois mil milhões de euros depois, que ao longo dos anos de saque o Banco de Portugal do antigo secretario-geral socialista tinha exercido a sua fiscalização de forma "estreita e contínua" (pags. 214 e 215 do Relatório Parlamentar ao BPN). Por absurdas que sejam estas conclusões, elas foram lavradas em documento da Assembleia da República, que é o que fica para a história como o relato dos representantes eleitos pelos portugueses da maior roubalheira de sempre na finança nacional. O relatório está feito. Por imoral que seja, vamos ter de viver com ele. Compete ao eleitorado garantir que para a próxima legislatura não haja condições para se repetir uma afronta destas. "
Mário Crespo - Jornal Noticias
06 Julho 2009
Portugal!
-A última vez foi quando entrámos para a Europa. Na altura, o Hernâni Lopes, que era ministro das Finanças, disse, "acabou-se o fado". E, de facto não se acabou, os portugueses reagiram exactamente ao contrário! Agora toda a gente fala de crise, eu acho que ninguém aprendeu coisa nenhuma com a crise, nada, zero! Toda a gente exige tudo do Estado e da sociedade e pouco está disposta a dar. Um dos exemplos que eu costumo dar, até o usei num dos meus últimos textos no Expresso, é as fundações. Porque nós devemos ser o único país do mundo onde uma pessoa cria uma fundação e em lugar de ter um património pessoal que põe ao serviço da sociedade, começa por ir pedir ao Estado que lhe dê um favor. Uma sede, ou isto, ou aquilo…
Uma sede em frente ao rio, de preferência...
-Um espacinho à beira-rio, como a Fundação Champalimaud, ou a Casa dos Bicos, como a Fundação Saramago, ou o CCB, como a Fundação Berardo. Nós não temos noção de que o País se constrói com o esforço de todos, achamos que há uma entidade mítica chamada Estado cuja obrigação é distribuir tudo a toda a gente que se colocar numa posição clientelar. Quem não se colocar numa posição clientelar é o otário que paga 42% de IRS e não recebe nada em troca. Nós temos um problema de elites, de facto. E isso vem de cima para baixo e acaba por desaguar nos cafés. Vou-lhe dar um exemplo e espero que ele não se zangue comigo, se se zangar, paciência. Um dos últimos grandes políticos em que eu depositei imensas esperanças foi no António Vitorino. E o que é que ele fez em troca do poder político que tinha? Nada. Na primeira oportunidade foi-se embora, tratou de ganhar dinheiro. É isso que fazem as nossas elites todas, nós não temos um espírito de serviço público, nem mesmo das pessoas que resolveram ir para a política!
Já disse que as pessoas estão demasiado expostas e se cansam. Não pode ser por causa disso?
-Estão. Mas também se expõem. Grande parte de políticos que prometiam tudo saíram, e estão todos em lugares públicos, em administrações de bancos, em coisas ligadas ao Estado, ou refugiados em escritórios de advocacia a dar pareceres para o Estado, a inter-mediar contratos, ganhando balúrdios de dinheiro. E as pessoas pensam: "Mas qual é o exemplo?"
Miguel Sousa Tavares em entrevista ao DN
26 Junho 2009
Gaivota
16 Junho 2009
Um gesto cristão!
09 Junho 2009
Eleições Europeias!
03 Junho 2009
Morreu o cavaquismo
Fonte Mário Crespo - Jornal de Notícias
30 Maio 2009
Qualidades!

Texto almocrevedaspetas
Foto Jornal Público
27 Maio 2009
A crise!!!
Franco Charais – antigo membro do Conselho da Revolução
06 Maio 2009
Agora nunca é tarde!
"... E se aquilo, aquilo que nos dão todos os dias não for coisa que se cheire ou nos deslumbre, que pelo menos nunca abdiquemos de pensar com direito à ironia, ao sonho, ao ser diferente. E será talvez uma forma inteligente de, afinal, nunca... nunca, nunca ser tarde demais para viver, nunca ser tarde demais para perceber, nunca ser tarde demais para exigir, nunca ser tarde demais para ACORDAR. "
"Pedro Barroso, "Navegador do Futuro"
25 Abril 2009
25 de Abril !

17 Abril 2009
Santarém!
...e onde se destaca esta bonita rosácea!
01 Abril 2009
Mário Viegas!
12 Março 2009
Consensos problemáticos!
É necessária uma nova ordem global solidária que crie condições para uma redução sustentável das emissões de carbono até 2016, data em que, segundo os estudos da ONU, o aquecimento global, ao ritmo actual, será irreversível e se transformará numa ameaça para a espécie humana. A existência da Organização Mundial de Comércio é incompatível com essa nova ordem. É necessário que a luta pela igualdade entre países e no interior de cada país seja finalmente uma prioridade absoluta. Para isso, é necessário que o mercado volte a ser servo, já que como senhor se revelou terrível.
Boaventura de Sousa Santos - sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).
07 Março 2009
"Os Maias no Trindade!"
...e de repente toda a plateia ficou repleta de jovens adolescentes para assistirem avidamente ao "Os Maias no Trindade"! Foi bom de ver, o ambiente entusiasticamente criado por esta onda de juventude, porventura com o intuito de melhor interpretarem literáriamente esta notável obra de Eça de Queiroz em cena no Teatro Trindade e com encenação de Rui Mendes, mas mesmo assim, com uma presença que em muito dignificou a representação deste clássico da literatura portuguesa. Viveu-se e respirou-se teatro, e isso é o que mais importa! 24 Fevereiro 2009
Lagoa Henriques
«Agora vemos tudo à escala do pequeno ecrã da televisão e do computador. O grande problema do nosso tempo é conciliar a técnica com a ética, a estética e a poética. Eu não quero que a vida pare, mas também não quero que se perca o sentido da filosofia da vida. Eu sou um homem dos cinco sentidos, não me submeto ao pequeno ecrã. O que me norteia é a dialéctica entre o erudito e o popular. E ponho a ética acima de tudo.»Lagoa Henriques 27/12/1923 - 21/02/2009 - texto daqui
23 Fevereiro 2009
José Afonso
Aveiro 02-Agosto-1929/Setúbal 23-Fev-1987
16 Fevereiro 2009
Maus Tratos!
José Saramago
26 Janeiro 2009
Despesas públicas!!!!

Foto - Google
20 Janeiro 2009
Expectativa!!!!
28 Dezembro 2008
Sensual idade
...Tentei manter em tão susceptível e melindrosa matéria, uma abrangência que é filha da muita idade, experiência e alguma observação. Com ironia, abertura de espírito, elevação e tolerância, espero.
Apesar de procurar sempre um traço fino, poético e elegante, este trabalho pode, no entanto ferir susceptibilidades mais conservadoras, ou pessoas de menor idade. Aconselha-se uma audição prévia responsável, para que não existam choques de acordo com os padrões éticos pessoais ou critérios educacionais.
...Seja indulgente consigo por uma hora. Usufrua este CD com gula, atenção e encanto. Leia e escute. Convide os amigos. Apague a televisão. Aproveite. Um dia vai ter saudades deste tempo e modo de ouvir e deste sentir saboroso e diferente."
E receba o meu abraço - pedro barroso
19 Dezembro 2008
Feliz Natal e um bom Ano Novo!
13 Dezembro 2008
É preciso salvar o Planeta... !!!
Documento enviado para a XIV Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, por Evo Morales, presidente da Bolívia. Para leitura na íntegra, clique aqui .
07 Dezembro 2008
Amália I
Com que voz - Música de Alain Oulman, Poema de Luís de Camões
06 Dezembro 2008
Amália
Grito - Música de Carlos Gonçalves, Poema de Amália Rodrigues
30 Novembro 2008
Campino do Ribatejo!
24 Novembro 2008
Freddie Mercury
Freddie Mercury, nome artístico de Farokh Bommi Bulsara, (Zanzibar, 5 de Setembro de 1946 — Londres, 24 de novembro de 1991)
17 Novembro 2008
E se Obama fosse africano?!!!
...Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia..
... e fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.
... Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.
... Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.
...A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.
...Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia."
Mia Couto - Jornal “SAVANA” – 14 de Novembro de 2008
Foto daqui
11 Novembro 2008
São Martinho!
21 Outubro 2008
Seres decentes!!!
Sem hesitar, o visado promulgou-a, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara toda a carreira.
O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco se pronunciaram a seu favor.
Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroativos, num total de um milhão e trezentos mil euros... para continuação clique aqui
18 Outubro 2008
Santana Lopes!!!!
Não há outro político com um currículo assim em Portugal.
Normalmente, os dirigentes partidários fazem o seu percurso e depois hibernam, seja nos negócios, na influência ou definitivamente na reforma. Nem que seja por períodos de tempo, desaparecem. E alguns até emigram, como Durão ou Guterres.
Mas Santana não.
Para além de um sempre-em-pé, é um profissional da política. Pode não se gostar de reconhecer, mas ele tem carisma, inspira lealdades e arrebanha votos - quando não é fora é dentro. E assim se vai impondo às fraquezas ou necessidades dos respectivos presidentes do PSD. A Menezes requisitou o posto de líder parlamentar e o estatuto de "número 2" do partido. A Manuela Ferreira Leite, para enorme e comprovado desgosto de Pacheco Pereira, arrancou agora a indigitação para a corrida à Câmara de Lisboa.
Nos intervalos da política, Santana Lopes foi presidente profissional do Sporting. Não teve êxito desportivo, mas teve um mérito: foi o primeiro dirigente de um clube a avaliar Carlos Queiroz. E também o primeiro a prescindir dele antes do final do contrato...
João Marcelino - Director Diário Notícias
07 Outubro 2008
A crise financeira!
José Saramago
O secretário-geral do PCP defendeu hoje, no Porto, que chegou o momento de o Estado obter o controlo, "por aquisição ou nacionalização, dos sectores estratégicos, para que possa defender-se de crises como a actual". Para Jerónimo de Sousa, a resposta à crise financeira está na "existência de um sector público forte e dinâmico em áreas estratégicas, designadamente na banca, na Galp, na EDP".
Jerónimo de Sousa
30 Setembro 2008
A beleza!
como o sol que fascina mas te cega.
Delas contudo a luminosa entrega
nunca se dá, melhor, nunca te basta.
E a imensa paz que para além te arrasta
quanto mais se te esquiva ou te renega...
Paz tão do alto e paz dessa macega
que nos campos esplende à luz mais casta.
A beleza te fere e todavia
afaga, uma emoção(sempre a primeira
e nunca repetida) que conduz
o teu deslumbramento para um dia
à noite misturado, na clareira
em que te sentes noite em plena luz.
Poema “Beleza” de Menotti del Picchia - Foto de Raphaelopensativo
20 Setembro 2008
Artes do silêncio
...O silêncio pode assim ser prudente, quando domina a conveniência de acordo com o tempo e o lugar, artificioso quando quem se cala o faz para surpreender, complacente quando se quer sobretudo agradar, trocista quando se quer iludir ou espiritual quando a intenção é só insinuar.
... Mas o silêncio pode ainda ser estúpido, quando revela alguém taciturno, que não significa nada, de aprovação quando exprime sintonia ou simpatia, de desprezo quando afecta frieza, ou de humor quando varia com a disposição subjectiva do momento. O último é o silêncio político que, diz o Abade Dinouart, é o de uma pessoa «prudente, que se cuida, se conduz com circunspecção, que não se abre, não diz o que pensa, não explica a sua conduta nem os seus propósitos. Que, sem trair a verdade, não responde com clareza para que não o descubram...
Manuel Maria Carilho
10 Setembro 2008
Não há discursos grátis
... Além de nada dizer que sobressaltasse as almas, a senhora é desprovida de convicções, de paixão, de fulgor, de compromisso vital, de empatia, de simpatia e de persuasão.
...Manuela Ferreira Leite é, em todos os aspectos, e com perdão da palavra, um frigorífico. Com outro revés: não possui nenhuma ideia nova, não apresenta nenhum projecto, não expressa nenhuma característica de mudança.
...Devo dizer que me não congratulo. O esvaziamento, cada vez mais acentuado, das variantes clássicas debilita as possibilidades do jogo democrático. E o cenário fixo de um partido sem antagonista, perpetuado no poder por inexistência de repertórios opostos, com encenações negociadas consoante as situações - vai corroendo, letalmente, o regime. E atinge todos os partidos. Todos.
Baptista-Bastos - Escritor e jornalista b.bastos@netcabo.pt
27 Agosto 2008
Por este Rio Tua acima...
A caminho da estação ferroviária do Tua surge-nos esta bonita ponte de construção dos anos quarenta.
Em qualquer estação do ano, esta viagem é sempre um irrecusável encontro com a Natureza.
Depois de uma viagem de cerca de 2 horas inesquecíveis por este Vale do Tua chega-se finalmente a Mirandela.
22 Agosto 2008
O Voo
Goza a euforia do voo do anjo perdido em ti.
Não indagues se nossas estradas, tempo e vento,
desabam no abismo.
Que sabes tu do fim?
Se temes que teu mistério seja uma noite, enche-o
de estrelas.
Conserva a ilusão de que teu voo te leva sempre
para mais alto.
No deslumbarmento da ascenção
se pressentires que amanhã estarás mudo
esgota, como passáro, as canções que tens
na garganta.
Canta. Canta para conservar a ilusão de festa e
de vitória.
Talvez as canções adormeçam as feras
que esperam devorar o pássaro
Desde que nasceste não és mais que um voo no tempo.
Rumo do céu?
Que importa a rota.
Voa e canta enquanto resistirem as asas.
Poema de Menotti Del Picchia - Foto de Paulo Custódio
29 Julho 2008
Finalmente!!!!
15 Julho 2008
Carta de um contratado
Passei pelo Random Precision e não resisti, aqui, à publicação deste maravilhoso vídeo! Do melhor que encontrei no You Tube!!! Excelente leitura poética de José Ramos, sobre um poema lindíssimo de António Jacinto e música muito bonita de Travadinha.
11 Julho 2008
Ludíbrio
No mar largo do meu sonho
E olho só para vê-las ...
... se lanço a mão, vou prendê-las
fica suspenso no ar o gesto de as alcançar ...
As estrelas nunca estão
Onde as quero adivinhar ...
João Leal - Do livro "Poesia em maré viva"
01 Julho 2008
Hospitais que matam!!!!!
" A taxa de mortalidade nos hospitais sem ar condicionado aumenta 60 por cento, indica um estudo do Instituto Nacional Ricardo Jorge. Segundo este estudo, citado pelo Correio da Manhã, os mais afectados por esta ausência são os utentes com mais de 65 anos.
Desde 2003, que há recomendação para que haja uma climatização dos hospitais, uma competência da responsabilidade das Administrações Regionais de Saúde e dos próprios estabelecimentos hospitalares. "
Pois…, mas não podemos ter dinheiro para tudo, não é?!!! Ainda alguém se lembra dos custos totais que o erário público teve de suportar com a construção dos estádios de futebol para a realização do Euro 2004? Possivelmente o dinheiro gasto com uma qualquer acessibilidade de um dos muitos estádios construídos por pressão dos lobbies do betão e satisfação desmesurada dos respectivos dirigentes desportivos, dava perfeitamente para equipar qualquer hospital distrital com um dos sistemas mais sofisticados de ar condicionado! E depois ainda nos dizem que as nossas limitações se devem aos condicionalismos da economia internacional!!!
Foto www.castelodevide.blogspot.com
20 Junho 2008
Adeus ao Euro 2008!!!
Foto
10 Junho 2008
Nevoeiro
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece o que a alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!
Fernando Pessoa (“Mensagem” - 1934)
04 Junho 2008
Os Heróis do Regime
22 Maio 2008
Os trabalhos da mão!
que escreve os versos
envelheceu. Deixou de amar as areias
das dunas, as tardes de chuva
miúda, o orvalho matinal
dos cardos. Prefere agora as sílabas
da sua aflição.
Sempre trabalhou mais que sua irmã,
um pouco mimada, um pouco
preguiçosa, mais bonita.
A si coube sempre
a tarefa mais dura: semear, colher,
coser, esfregar. Mas também
acariciar, é certo. A exigência,
o rigor, acabaram por fatigá-la.
O fim não pode tardar: oxalá
tenha em conta a sua nobreza.
Eugénio de Andrade "Ofício de Paciência" 1994
15 Maio 2008
Love of my life
09 Maio 2008
Humoristas às avessas
Em Portugal somos julgados não pelo que dizemos ou escrevemos mas pelo que os outros afirmam que nós dizemos ou escrevemos, alertava, certeiro, Jorge de Sena.
Uma nova Idade Média emerge trazendo consigo uma generalizada Era de Desigualdades que, desapiedadamente, provoca a eliminação dos que não conseguem lugar à sua mesa.
A mentalidade de mendigo faz-se pandemia propagada por subculturas dissolventes, por políticas (sobretudo fiscais) que tiram aos que têm pouco para salvaguardar os que têm muito. Isso apesar da Europa produzir hoje três vezes mais do que há quarenta anos, utilizando menos trinta por cento de mão-de-obra.
Dois séculos atrás, por exemplo, um escravo custava no sul dos Estados Unidos cerca de 30 mil euros; actualmente (e escravo nos dias correntes é o que não possui documentação nem personalidade jurídica) custa 100 euros no mercado internacional.
Só a lucidez, avisam os ditos os ditos pessimistas, nos pode preservar do abuso dos poderes, poderes que não se encontram nas mãos dos que produzem o conhecimento mas nas dos que manipulam os que produzem o conhecimento.
Colunistas de soalheiro e tecnocratas de balcão ajudam, enfáticos, à festa inundando-nos de cenários, de estatísticas, de sondagens a sustentarem medidas revigorantes (arrasantes) para a continuação da nossa débil sobrevivência – que a deles encontra-se (bem) salvaguardada.
Dissipados os fundos da Comunidade Europeia, manchados os executivos, os partidos, os orgãos de comunicação, de justiça, de ensino, de civismo, Portugal imerge, entretanto, sem voz, sem ânimo, sem esperança, sem dignidade, lamurioso ante o concreto e a imprevisibilidade abatidos à volta.
Psiquiatras revelam, por sua vez, que as pessoas parecem mais apavoradas com a sobrevivência do que com a morte.
Fora do tempo e dos interesses estabelecidos, os pessimistas não passam de humoristas às avessas.
“Tempo Livre” Crónica de Fernando Dacosta
01 Maio 2008
1º Maio
25 Abril 2008
Liberdade!

Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
Sophia de Mello Breyner Andresen
22 Abril 2008
Lisboa 1900-1910
Preciosidade publicada no Bic Laranja . "Estrada rural e mercado dos gados antes da abertura do último troço da Av 5 de Outubro. Ao longe e por trás da cúpula de vidro, as torres neo-árabes da Praça do Campo Pequeno."
19 Abril 2008
A pele da madrugada
uma boca e a mão para a dizer.
Fui colhendo a noite, palavras surdas,
o silêncio que a morte continua
sob a pele da madrugada.
Cada dia tenho menos um coração,
menos uma noite. Resta-me a memória
de abril dentro um copo de esquecimento,
o fundo da liberdade
que alguém bebeu de nós:
a canção morena da alegria,
o cravo ao rubro de fundir a paz.
Menos uma boca, uma criança
alada. Menos uma cidade onde a esperança
se cola ao rosto. Os meus passos presos
ao chão são menos o olhar que a manhã
oferece. Mas era uma vez e aconteceu
um dia, em todos os outros desse dia,
por muito tempo e ainda agora:
acordar, pôr o café na chávena
e barrar o pão com a liberdade.
Rosa Alice Branco
14 Abril 2008
Perdido o pudor fica o poder
... Mas ninguém vai perder! Surpreendente? Não! Afinal foi assim que o Bloco Central se formou e se mantém. À custa dos milagres do método de Hondt, onde a partir de um certo número de votos nunca ninguém perdeu um lugar lá porque perdeu uma eleição. Só que Victor d'Hondt, provavelmente, nunca imaginou ver o seu método aplicado à economia de mercado."
Mário Crespo JN
12 Abril 2008
A sombra sou eu!
ela não me segue,
eu estou na minha sombra
e não vou em mim.
Sombra de mim que recebo a luz,
sombra atrelada ao que eu nasci,
distância imutável de minha sombra a mim,
toco-me e não me atinjo,
só sei do que seria
se de minha sombra chegasse a mim.
Passa-se tudo em seguir-me
e finjo que sou eu que sigo,
finjo que sou eu que vou
e não que me persigo.
Faço por confundir a minha sombra comigo:
estou sempre às portas da vida,
sempre lá, sempre às portas de mim!
Almada Negreiros (1893-1970)
26 Março 2008
Valores de importação!
“Não há ausência de valores. Há, isso sim, outros valores de rápida importação, sobre os quais nenhuma reflexão tem sido feita. A nova ordem económica mundial modificou, substancialmente, o articulado no qual se estatuiu, durante décadas, a nossa existência comum. Tudo se tornou precário, instável e inquietante. Destruiu-se comportamentos consolidados, disposições familiares de séculos, mecanismos que garantiam equilíbrios sociais. No fundo, a "organização" não passava de uma dissimulada sanção normalizadora ou, se o quiserem, punitiva, por opressora. Acusam-se os pais e os professores de desatenção, negligência, falta de zelo; os alunos, de desobediência, insolência, má educação. E reclama-se a velha "autoridade". As fracções mais ténues de conduta não são analisadas à luz das novas regras - nas quais o "mercado" e a inobservância dos laços solidários desempenham poderosos papéis.
Vivemos num tempo evolutivo. A escola, a Igreja, a justiça, o amor, o conceito de família, a noção de comunidade, tal como no-lo foram inculcados, são sacudidos porque emergiram outras modalidades de poder. O caso do liceu do Porto é um dos sinais do tempo. Nem mais nem menos graves do que outros.”
20 Março 2008
Páscoa!
11 Março 2008
Naide Gomes
De vez em quando lá acontece sentirmos aquele orgulhosinho..., de sermos portugueses!
Naide Gomes sagrou-se no último domingo em Valência, Campeã do Mundo de Salto em Comprimento em pista coberta.
04 Março 2008
Jorge Palma no CCB
Gostei! Confesso que gostei muito desta “Carta Branca a Jorge Palma” que o CCB lhe lançou em forma de desafio! Foi um espectáculo preenchido de grandes momentos em que o autor vestiu de novas roupagens, com a prestação do Quarteto Lacerda e de seu filho Vicente Palma, algumas das criações do seu riquíssimo percurso musical. Mas o ponto alto aconteceu na soberba interpretação/recreação ao piano de “Frágil”, levantando do Grande Auditório completamente cheio, um entusiástico e caloroso aplauso pelo momento único grandiosamente vivido! Assistir a concertos de Jorge Palma é cada vez mais, um verdadeiro estado de alma.
29 Fevereiro 2008
Jorge Palma
O músico actua esta sexta-feira, dia 29, no Centro Cultural de Belém, num concerto único intitulado "Carta Branca a Jorge Palma". O SAPO foi a casa do cantor/compositor e tentou saber mais pormenores do espectáculo, já esgotado, que contará com a colaboração de um quarteto de cordas.
Vou lá estar para vêr!!!
23 Fevereiro 2008
Zeca Afonso!
Em “Fados de Coimbra e Outras Canções”, José Afonso regressa às origens para cantar, sobretudo, Edmundo Bettencourt, ao qual, aliás, dedica o disco (bem como a seu pai, o juiz José Nepomuceno Afonso, contemporâneo e amigo do grande poeta da “Presença”).
Este foi o último disco que José Afonso gravou para a Orfeu, após uma colaboração de 14 anos. Daí para a frente – mas em trabalhos não incluídos nesta colectânea por pertencerem a outras editoras – José Afonso gravou mais três discos: “Ao Vivo no Coliseu” e “Como Se Fora Seu Filho”, em 1983; e “Galinhas do Mato”, em 1985, o seu último disco.
Entretanto, insidiosamente, começara a roer-lhe o sistema nervoso uma doença terrível – esclerose lateral amiotrófica – que acabara por o vitimar em 1987. Sempre com esperança na cura sonhada, José Afonso começa então – com enorme coragem – a sua luta contra a doença. Corre de um médico para outro, vai ao estrangeiro, gasta o dinheiro que tem e o que lhe falta, recebe amigos, fala com jornalistas, encara e espera a morte com total lucidez e serenidade.
Humilde, não quer ter consciência da grandiosidade da obra poética e musical que deixou e que hoje – sobretudo agora – começa a ter reconhecimento universal.
E que outro cantor poderia anunciar o 25 de Abril, abrir as portas dos quartéis com uma canção, e caminhar, de viola às costas, na Terra da Fraternidade?
José Niza
21 Fevereiro 2008
Almada!
13 Fevereiro 2008
General Sem Medo!
"A razão que me levou a revoltar-me no 28 de Maio é a mesma por que agora me revolto, através duma candidatura constitucional."
"Não percebo como o Governo, ao fim de trinta anos, tem medo de confiar o poder a uma geração que foi feita com um S no cinto, tal como o gado tem o ferro na anca..."
Humberto Delgado, na conferência de Imprensa no dia 10 de Maio de 1958 no Café Chave d’Ouro. 15 Maio 1906 - 13 Fev 1965.
04 Fevereiro 2008
Critério redactorial?!!!
Foi assim a primeira página do DN, no dia seguinte à entrevista! Pois claro, o Nuno Gomes, os fumadores e as reduções de 30 euros por mês nos créditos à compra de habitação para um empréstimo de 100.000 Euros a um prazo de trinta anos...., tudo muito mais importante que a corajosa entrevista do novo bastonário da Ordem dos Advogados!
23 Janeiro 2008
Os Portugueses!!!
Outra característica dos portugueses é ter medo do risco, podem cair no ridículo, que fica muito mal. Ora para fazer grandes coisas, é preciso arriscar cair do trapézio. Mas os portugueses preferem trabalhar com rede ou então a um metro do chão. Os Descobrimentos foram uma necessidade porque essa gente que vinha do Norte do Pais, a cair de fome e a morrer pelo caminho, não tinha outra hipótese. E não esqueçamos os mercenários. Os relatos deixam-nos imaginar o tormento daquelas viagens, com doenças e sem comida, em condições de puro desespero. Depois, lá veio a mistificação histórica. Obviamente haveria alguns, poucos, a começar pelo infante D. Henrique, que teriam o seu projecto de alargar a Terra, de chegar a qualquer lado e de tirar lucro, que é o que faz correr o homem. O Camões diz textualmente, n’Os Lusíadas, que «nunca houve nação, nem bárbara, que prezasse tão pouco as artes como a portuguesa». E o padre António Vieira dizia, naquelas etimologias divertidas, que o mundo é mundo porque, por antífrase, é imundo tal como a Lusitânia se chama assim já que não deixa luzir ninguém por causa da inveja. E podíamos continuar com o Eça, com o António Nobre, com os que reflectiram porque tiveram oportunidade de comparar... (...).
Alberto Pimenta - Diário Notícias 29 Jan-1995
06 Janeiro 2008
Professor Chambel

"Eugénio Augusto Fevereiro Chambel , antigo director da Escola Industrial e Comercial de Santarém, actual Escola Dr. Ginestal Machado, faleceu na passada quinta-feira, dia 27 de Dezembro "
Esta notícia apanhou-me de surpresa, quando iniciava uma breve leitura pelo O Ribatejo . O Professor Chambel foi "meu" Director nos anos de 1966 a 1970. Pessoa afável e de um trato de muita respeitabilidade, foi o responsável pela transição da velhinha escola situada junto à igreja da Marvila para as suas actuais instalações. Aqui e hoje a minha homenagem ao nosso Director Chambel!
Foto Daqui
31 Dezembro 2007
Feliz Ano Novo!!!

Um Feliz Ano de 2008 para todos os que pacientemente continuam a visitar este espaço!
18 Dezembro 2007
É Natal !!!
25 Novembro 2007
Prémio Nobel da Paz?

Porventura Ramos Horta teria andado demasiado preocupado comos problemas de Timor em Março de 2003, mas não haverá ninguém que lhe diga, que os USA invadiram o Iraque com o apoio público de Durão Barroso, então primeiro ministro de Portugal, na Cimeira das Lajes?
20 Novembro 2007
Fausto

Texto
14 Novembro 2007
Zeca Afonso
“Com Zeca e os seus amigos aprendemos, ainda, que é muito menos fácil formular perguntas que encontrar respostas. Que as veleidades da “vida artística”, na qual ele nunca se encaixou, são como os foguetes de romaria, que desparecem no ar depois de um instante de brilho, e que, portanto, o importante é estar vivo, ter como única certeza a inquietação permanente.”Viriato Teles_1987
03 Novembro 2007
Tributo a Adriano Correia de Oliveira
16 Outubro 2007
Adriano Correia Oliveira
Adriano Correia Oliveira (Porto, 9 de Abril de 1942 — Avintes, 16 de Outubro de 1982)
12 Outubro 2007
Pelo Ambiente!!!!
08 Outubro 2007
Canto do Camponês

o suor que desce
pela testa
inunda as sobrancelhas
desliza gota a gota
até aos cantos da boca
conflui no queixo
e cai na terra que conquistámos
É refrescante
o suor que desce
pela nuca
engrossa no pescoço
escorre pelo dorso
e rega o chão que é nosso
Do Livro "Memória Inconsumível " de Guilherme Afonso - Capítulo "Utopias "
Foto_José Luis Mendes
28 Setembro 2007
O Meu Mundo em Postais
Todos dias surgem novos espaços na internet em que os seus autores os transformam em tribunas priveligiadas de opinião pública sobre as questões fundamentais que afectam as sociedades contemporâneas. No entanto há quem considere que os blogues também podem oferecer a quem os visitam, uma outra relação com a vida, ou seja, podermos de uma forma afectiva com o mundo deslumbrarmo-nos com locais maravilhosos e marcados de algum simbolismo histórico. E foi assim que reunindo uma vastíssima colecção de postais que foi guardando ao longo da sua vida na descoberta desse Mundo, que a autora nos presenteia com este bonito e interessante espaço.!!! Visitemos pois este Meu Mundo em Postais de Teresa Cruz e deliciemo-nos com a sua última passagem por Paris, Cidade das Luzes, ao som de Edith Piaf, Jaqques Brel e de Gilbert Becaud. 21 Setembro 2007
Menina dos Olhos de Àgua
Menina dos Olhos de Àgua
Menina em teu peito sinto o Tejo
E vontades marinheiras de aproar
Menina em teus lábios sinto fontes
de água doce que corre sem parar
Menina em teus olhos vejo espelhos
e em teus cabelos nuvens de encantar
E em teu corpo inteiro sinto feno
rijo e tenro que nem sei explicar
Se houver alguém que não goste
não gaste, deixe ficar
que eu só por mim quero te tanto
que não vai haver menina para sobrar
Aprendi nos 'esteiros' com Soeiro
e aprendi na 'fanga' com Redol
Tenho no rio grande o mundo inteiro
e sinto o mundo inteiro no teu colo
Aprendi a amar a madrugada
que desponta em mim quando sorris
És um rio cheio de água lavada
e dás rumo à fragata que escolhi
Se houver alguém que não goste
não gaste, deixe ficar
que eu só por mim quero te tanto
que não vai haver menina para sobrar
Letra e Música Pedro Barroso
In “Cantos da Borda Dágua” 1986
16 Setembro 2007
Peões em Segurança

05 Setembro 2007
Ainda vamos a tempo?!!!

[Segundo a organização, que está a celebrar o seu 62.º congresso internacional em Budapeste, Hungria, a actual extinção das espécies de anfíbios "pode ser comparada à extinção que dizimou os dinossauros do planeta".
De acordo com a revista BioScience, os anfíbios que sobreviveram aos dinossauros, erupções vulcânicas e outras catástrofes durante milhões de anos, extinguem-se rapidamente por não se conseguirem adaptar às mudanças do mundo.]
Por mais alertas que a classe cientifica produza em inúmeros foruns dedicados ao tema, o homem, alguns homens, teimam persistentemente na destruição ambiental do nosso planeta. As consequências são imprevisíveis e se não houver uma consciencialização de que o tempo urge na tomada de medidas eficazes na defesa de toda a vida deste planeta Terra, poderemos estar daqui a não muito tempo em rota progressiva de uma destruição irreversível !!!!!
Foto daqui
30 Agosto 2007
Regresso

31 Julho 2007
Férias 2007!!!
26 Julho 2007
Saramago
Texto Ferreira Fernandes
Foto_ Revista Caras
21 Julho 2007
Credibilidade
10 Julho 2007
Encosta-te a Mim
.... Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.
Encosta-te a mim,
desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba qua não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.
Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enroscas-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.
Jorge Palma_Letra e Música
08 Julho 2007
Os Meus Postais
Divulgar e dar a conhecer Postais ilustrados que foi coleccionando durante as suas viagens ou simplesmente de locais referências para a sua vida, é o que se propõe fazer a autora deste recém criado espaço intitulado Os Meus Postais . Daqui lhe endereçamos as maiores felicitações neste seu projecto como assim nesta bonita viagem que simpáticamente nos proporciona.29 Junho 2007
A Festa foi Bonita...

voltas ao mesmo leito onde dormiste
e apesar do sabor que nos deixamos
o termos que partir é sempre triste
O mundo que sonhamos está tão longe
mas tudo o que esta noite se viveu
garante que afinal pode ser hoje
o mundo que se sonha e se esqueceu
Mas há uma coisa enorme que ficou:
(e é nela que teces o amanhã
que deste frente a frente resultou)
a vontade de viver outra verdade
a vontade de acordar noutra manhã
Foto_Raphael o pensativo
Versos retirados do Poema " A Festa foi Bonita" de Pedro Barroso
13 Junho 2007
E agora, Mário Lino?

Foto daqui
06 Junho 2007
Ana Moura
Ana Moura acaba de lançar o seu mais recente trabalho em CD intitulado "Para Além da Saudade". Produzido por Jorge Fernando, o sucessor de "Aconteceu" conta com a participação de Amélia Muge, Fausto, Patxi Andion e o saxofonista dos Rolling Stones, Tim Ries.
"Búzios" é o tema promorcional deste CD com letra e música de Jorge Fernando.
01 Junho 2007
Azinhaga em Festa !!!!
Inspirada no culto do Divino Espírito Santo, introduzido em Portugal pela Rainha Santa Isabel, tinha um carácter quase singular.
O Bodo é o culminar das festividades realizadas entre os Domingos de Páscoa e de Pentecostes em honra do Divino Espírito Santo e simboliza a partilha entre os homens. Em Portugal, foram D. Dinis e a rainha Santa Isabel os monarcas inauguradores deste cerimonial religioso. Reza a tradição que a primeira cerimónia deste culto se realizou na Sé de Coimbra e que dela constou a coroação simbólica de um mendigo, seguida da distribuição de alimentos aos pobres, ou seja, do Bodo.
benévola contribuição.
Decorreu de 24 a 27 de Maio de 2007 em Azinhaga a Festa do Bodo. O Programa foi como sempre muito diversificado, tendo sempre presente, a participação popular em todas as manifestações que integram estes três dias de Festa.
Nesta foto podemos ver o Cortejo da recolha do pão pelas ruas da Azinhaga.
Nesta foto podemos apreciar a sempre tradicional Largada de Touros pelas ruas desta típica aldeia ribatejana.
Houve também lugar ao Tributo dos Avieiros da Azinhaga no dia 26 de Maio de 2007, com a presença do Presidente da Câmara da Golegã, José Veiga Maltez.Fotos e texto daqui
29 Maio 2007
Sério de mais!!!!
"As pessoas crescidas têm sempre necessidade de explicações... Nunca compreendem nada sozinhas e é fatigante para as crianças estarem sempre a dar explicações."
Antoine de Saint-Exupéry
24 Maio 2007
Os Meus Sonhos

Nunca cuidei da minha vida
mas dos meus sonhos sim, que são leais e verdadeiros
e trazem a ousadia dos grandes rasgos, quando, no desnorte que
me guia, põem a tenaz luminosidade, que suaviza e alimenta
Nunca zelei, por mais necessário que fosse, por um qualquer
desacerto. E da areia para o sol insisto a Luz, ao contrário do
habitual. Insisto e tu ficas, ó memória inconsolada; farol a refulgir
no negrume ácido da terra — irredutível solidão de todos os
Viandantes
Nunca cuidei da minha vida
mas dos meus sonhos sim, que são belos e insubmissos, ante a
desordem que hoje reina
Poema - Victor Oliveira Mateus
19 Maio 2007
Inquietante
16 Maio 2007
"MEME"
A Igreja da Graça, Igreja de Santa Maria da Graça ou Igreja de Santo Agostinho, em Santarém, é um dos monumentos mais emblemáticos da cidade de Santarém. Está situada no largo de Pedro Álvares Cabral (também conhecido como largo da Graça), na freguesia de Marvila.
A Torre das Cabaças, também conhecida simplesmente como Torre do Relógio, localiza-se na freguesia de Marvila . Esta fotografia foi registada de uma esplanada da Casa do Brasil, Casa Pedro Alvares Cabral e ao seu lado pode-se também identificar o Museu de Arqueologia de Santarém.E para que esta bonita divulgação continue por aí, proponho a continuadores: Mala Posta , Erotismo na Cidade , Sem Ordem , Dois Mais Dois , Bairro do Amor e Com Calma
12 Maio 2007
"Os Velhos"

uma era justa e boa
em que o valor da pessoa
se mantém quando envelhece.
Está no trabalho que fez.
Para conseguir uma coisa como esta
dava o sangue que me resta.
E era como se tivesse
nascido mais uma vez.
Deram-nos este banco de avenida
onde a sombra nos dói e a tarde gela
e daqui vemos nós passar a vida
Sem que a vida nos sinta perto dela.
Assim nos atiraram para fora
das coisas que ajudámos a fazer.
Ai, como o sol aquece pouco agora.
Ai, muito custa à noite adormecer.
Fomos pedreiros, varredores, ardinas
fizemos casas, cultivámos terras,
criámos gado, entrámos pelas minas,
demos os filhos para as vossas guerras.
Demos as filhas para vos servir,
cortámos lenha para a vossa fogueira.
E o tempo a ir-se, e a gente a pressentir
que vos demos sem querer a vida inteira.
E ainda é sangue o que nas veias corre.
Ainda é raiva o que nos dobra a mão.
Ainda ecoa um sonho que não morre
no nosso velho e atento coração.
Poema "Os Velhos " de Hélia Correia ________ Fotografia de Jorge Folha
09 Maio 2007
A eterna irreverente

06 Maio 2007
Blogosfera "Meme"
AMAR, NÃO É ASSIM TÃO DIFÍCIL..., ALGUNS HOMENS É QUE GOSTAM DE COMPLICAR!!!!Passo o "meme" a, Magnólia , A Castro , Rio Abaixo , Farol das Artes , Erotismo na Cidade , Estrada Poeirenta e Bic Laranja
01 Maio 2007
1º de Maio

vi tanta esperança andar à solta
que não exitei
e os hinos que cantei
foram feitos do meu coração
feitos de alegria e de paixão
Do Poema "Eu vim de Longe" de José Mário Branco
25 Abril 2007
25 de Abril em Almada
Em Almada festejou-se mais uma vez o 25 de Abril, ouvindo e cantando Fausto. Foi uma praça cheia, para ouvirmos aquele que "pelo alcance das suas canções que cuidadosamente desenha, se recusa a viver sob a ditadura do obrigatóriamente efémero ou do políticamente correcto", segundo palavras de João Gobern.
... por isso Abril é sempre, por variadíssimas razões, um bom mês para reencontrar Fausto Bordalo Dias, o autor, mas também Fausto, o cantor. Ainda palavras de João Gobern
Cavaco Silva disse hoje na Assembleia da República que chegou a hora de mudar o figurino das comemorações do 25 de Abril. Não sei, não sabemos, que proposta de alteração o Presidente da República tem em mente para apresentar à Assembleia da República ou ao Poder Local, que são estas as instituições que comemoram de formas diferentes esta data de tão carga simbólica para Portugal. Por mim, continuo com toda a certeza a festejar este dia profundamente marcante na mudança histórica deste país, com aqueles que exemplarmente souberam e sabem cantar Abril.24 Abril 2007
25 de Abril
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen
18 Abril 2007
Que rica Saúde!!!!
Que país este que nega a aplicação de uma vacina de âmbito nacional por razões económicas e onde simultâneamente nascem hospitais alicerçados na rentabilidade económica e no lucro, direccionado e tendo como clientelas preferenciais segmentos da sociedade das classes média e alta?
09 Abril 2007
Adriano Correia de Oliveira

correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar
Leva nas águas as grades
de aço e silêncio forjadas
deixa soltar-se a verdade
das bocas amordaçadas
09 de Abril 1942 – 16 de Outubro 1982
Blogosfera e muito mais...
Sobre a cidade de Lisboa, na qual foi durante o mandato de João Soares seu chefe de Gabinete, diz peremptóriamente que “o deixa andar está instalado na cidade “
“O afastamento é definitivo, não o empenhamento”, esta a resposta a uma das últimas perguntas de Pedro R Duarte, sobre o seu eventual regresso à vida politica.
Uma entrevista verdadeiramente a não perder AQUI na íntegra
06 Abril 2007
Círculo do Amor
01 Abril 2007
Mário Viegas

Mário Viegas 10 Nov 1948 – 01 Abr 1996
Foto e Textos RTP
27 Março 2007
Dia Mundial do Teatro
21 Março 2007
Parque da Paz, em Almada
É um espaço de eleição para quem deseje reencontrar a serenidade necessária a uma vida emocionalmente equilibrada. Não há em muitas cidades, um espaço com esta dimensão e no qual todos os visitantes se sentem naturalmente integrados num meio onde a natureza ainda prevalece aos desvarios do homem. Almada por isso, está de parabéns.16 Março 2007
António Lobo Antunes

"Quando escrevo, penso apenas em exorcizar certas emoções, descrevê-las, vivê-las. O leitor é um acto secundário, penso nele nos últimos acabamentos do livro, quando sinto que isto ou aquilo não está inteligível."
in O Jornal, 30 de Outubro de 1992
"Eu penso que aquilo que faz com que nós continuemos vivos e capazes de criar é isso mesmo, uma inquietação constante. Sem ela não pode haver criação, quem não põe sempre, tudo em causa, arrisca-se a ter uma vida interior de três assoalhadas, num bairro económico (...)."
in O Jornal, 30 de Outubro de 1992
"(...) é muito raro ficar furioso, zangar-me. Não tenho tempo para isso. Nem tempo para estar triste."
"Qual é o seu clube?"
"Obviamente o Benfica."
in Record, 8 de Dezembro de 1996
"Que te diz este nome: Portugal?"
"Para um homem como eu, meio-brasileiro, meio-alemão, é o país de onde quase não venho e onde sempre estou."
in Jornal de Letras, Artes e Ideias, ano V, nº176, Novembro de 1985
"Eu gosto desta terra. Nós somos feios, pequenos, estúpidos, mas eu gosto disto."
in Ler, nº37, Inverno de 1997
"(...) tenho medo de, alguma vez, não conseguir escrever."
in Diário de Notícias,
Citações
23 Fevereiro 2007
Zeca Afonso
Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
Programa de Homenagem a Zeca Afonso pela passagem dos vinte anos da sua morte
19 Fevereiro 2007
SNS, segundo Correia de Campos

“As pessoas é que não compreendem, porque isto é dificil de explicar”
- Será que é por estarmos em vésperas de Carnaval ???!!!
09 Fevereiro 2007
SIM
05 Fevereiro 2007
Na Corda Bamba
Era apenas um raio de Sol na atmosfera...
Sómente o choro de uma criança a nascer
Eram os pássaros a chamar a Primavera
E alguns a decidir quem vai ou não morrer.
Na boca uma questão que não faz sentido
Nem o corpo deseja os traumas provocados
Que se houver pão há um útero protegido
E na corda bamba só andam os desleixados.
O dia compunha-se de uma prenhe realidade
Algo suspeito que nos faz pensar na vida...
E se houver um sismo de grande intensidade
Quem se fina ou não, é coisa já decidida?.
Da corda bamba saltam vozes e demagogia
Somos o Martim Moniz do sacrificio ignorado
Estamos entalados na porta da democracia
Onde só os ricos têm o tratamento desejado.
Quem quer...pode e manda.Hoje descobriu
Que há uma fonte de rendimento a explorar
Vida e morte têm leis de quem nunca pariu
Nem quis dar à mulher a liberdade de optar.
Destruir a Terra porque se conquistou a Lua
É negar a vida a quem não pode lá viver...
Tudo tem o seu tempo e eu na minha rua...
Queria mais crianças a brincar e a crescer.
F. Corte Real
Barronhos,01 de Fevereiro de 2007
01 Fevereiro 2007
Referendo sobre Interrupção Voluntária da Gravidez
O que está verdadeiramente em causa, nas 12 Razões de Vital Moreira
19 Janeiro 2007
As Amoras
O meu país sabe às amoras bravas
Eugénio de Andrade 19 de Jan 1923/13 de Jun 2005
05 Janeiro 2007
Música Portuguesa na RTP
É hábito as televisões portuguesas, na quadra natalícia, melhorarem a grelha sobretudo com a exibição de filmes e a transmissão concertos de música. A RTP-1 também cumpriu a tradição, mas no caso da música portuguesa fê-lo da pior maneira. Começo pelos horários: Marco Paulo, Tony Carreira e Anjos passaram em horário nobre enquanto que José Mário Branco, João Braga e Camané foram atirados para a madrugada. Por exemplo, o concerto de José Mário Branco que teve como convidados nomes tão importantes como Fausto Bordalo Dias, Júlio Pereira, Filipa Pais e José Peixoto passou – pasme-se! – depois das 2:30 da madrugada. Desconheço qual o critério usado pela direcção de programas da RTP-1 para a desigualdade de tratamento dada aos vários artistas da nossa praça, mas partindo do pressuposto que pesou uma suposta maior popularidade de uns em relação a outros, então a televisão pública prestou um péssimo serviço público. A televisão pública não pode nem deve andar atrás de audiências mas tão-somente procurar apresentar o melhor serviço que está ao seu alcance. Nem vou ao ponto de dizer que nomes como Marco Paulo, Tony Carreira e Anjos (incluindo todos os ‘Pimbas’ que costumam marcar presença nos programas da manhã e da tarde) não devem ter lugar na televisão pública mas já não posso aceitar, de forma alguma, a marginalização de que cantores / intérpretes de créditos firmados e de qualidade incontestada vêm sendo alvo. E digo isto não tanto pela consideração de que tais artistas são credores, mas apenas pelo respeito que a direcção de programas da RTP-1 devia ter pelos telespectadores seus apreciadores. Assim fica-se com a ideia que de que para a televisão estatal só interessam os apreciadores de Marco Paulo, Tony Carreira, Anjos e afins enquanto que os demais telespectadores não contam para nada. Ou servirão apenas para pagar a taxa do audiovisual?E como se isto não bastasse, constata-se ainda que muitos artistas de qualidade reconhecida (entre os quais algumas figuras de referência da música portuguesa) nem sequer têm acesso à televisão do Estado, mesmo em horários esconsos, o que me parece muito grave. Por que motivo os telespectadores da televisão pública não podem ver / ouvir uma Mísia, uma Aldina Duarte, uma Ana Laíns, uma Amélia Muge, um Pedro Barroso, um Vitorino, um Janita Salomé, um Eduardo Ramos, um Rão Kyao, um Júlio Pereira, um Pedro Caldeira Cabral, um José Peixoto, um Pedro Jóia, uns Frei Fado d’El-Rei, isto para já não falar em tantos e bons agrupamentos de música folk / tradicional – Aqua d’Iris, At-Tambur, Belaurora, Brigada Victor Jara, Canto da Terra, Charanga, Chuchurumel, Contrabando, Danças Ocultas, Dar de Vaia, Dazkarieh, Gaiteiros de Lisboa, Galandum Galundaina, Lúmen, Maio Moço, Mandrágora, Mare Nostrum, Melodias do Vento, Moçoilas, Modas ao Luar, Mu, José Barros e Navegante, Nem Truz Nem Muz, Ódagaita, Pedra d’Hera, Popularis, Quadrilha, Real Companhia, Realejo, Roda Pé, Roldana Folk, Ronda dos Quatro Caminhos, Rosa Negra, Segue-me à Capela, Som Ibérico, Terrakota, Trovas à Toa, Vá de Viró, Vai de Roda.Não competiria à televisão que todos financiamos dar a conhecer ao grande público o que de melhor se faz em Portugal em matéria de música popular? Será razoável que o dinheiro dos contribuintes seja desbaratado com os produtos de mais baixo nível, e se sonegue o que tem mais qualidade e autenticidade? Uma das atribuições do serviço público de televisão não é a promoção da língua e cultura portuguesas? Ou será que o Sr. Nuno Santos entende que a música pimba e a música de cassete pirata são o que melhor representa a cultura portuguesa?Texto
02 Janeiro 2007
Cante ao Menino
Aqui lhe envio algumas fotos da Aldeia de Peroguarda - Ferreira de Alentejo, distrito de Beja, onde assisti ao "Cante do Menino". Gente simples e trabalhadora, muita dela já com idade avançada, procura nestas actividades salvar o cante alentejano. 19 Dezembro 2006
Natal 2006
O autor deste espaço deseja a todos os que tiveram a paciência de me acompanhar neste percurso blogueiro, brindando-me sempre que possível com as vossos bem vindos comentários, um Bom Natal e um Feliz Ano Novo.18 Dezembro 2006
Dança no gelo

Albena Denkova e Maxim Staviski da Bulgária, dançam em estilo livre na final da ISU Grand Prix of Figure Skating em São Petersburgo.
Foto @EPA/Anatoly Maltsev
05 Dezembro 2006
Para pensar...
"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades.Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê.
... A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis. E um exército de professores explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.
Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho ...
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos.
A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"
João Pereira Coutinho ( Jornalista )
24 Novembro 2006
António Gedeão
Pedra FilosofalEles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanço,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão de átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
António Gedeão/Rómulo de Carvalho nasceu a 24 Novembro de 1906
23 Novembro 2006
O nosso déficit
Combater o déficit será só o único e prioritário desígnio nacional?!!! O grande problema que se coloca, é o de saber como sairmos desta situação em que nos encontramos, dentro deste contexto político europeu e global. Portugal enferma por grandes e injustas desigualdades entre a sua população. Qualquer pedido de sacrifício que seja exigido, é sempre incompreendido e dificilmente aceite pelas pessoas com mais baixos rendimentos. Qual poderá ser então a verdadeira saída para este país, sem prejudicar demais, sempre os mesmos? È recorrer à política simplista de aumentar os impostos sobre o consumo de modo a crescer a receita e consequentemente encher mais os cofres do estado? A Irlanda pela voz do seu ministro da economia, baixou o IVA, para angariar mais investimento e daí criar mais postos de trabalho abrindo assim as portas a um efectivo bem estar social!!!! Há uns tempos um ilustre economista chamado Silva Lopes defendia a ideia de que havia um outra forma de combater o déficit, ou seja, já que pelo corte da despesa o caminho era difícil, só no aumento do rendimento lá poderíamos chegar. Então se é assim, porque não apostarmos em qualquer ícone produtivo que nos tire desta difícil situação económica? Fala-se no turismo. Existe algum plano nacional mobilizador de modo a tirarmos o verdadeiro rendimento desta dádiva com que a natureza nos presenteou? Não é possível em simultaniedade com o exigido combate ao déficit, projectar-se medidas a curto prazo que sejam dinamizadoras da nossa economia de modo a entrarmos finalmente numa lógica de desenvolvimento e progresso? Porque o que se tem visto é cortar, cortar, cortar....na despesa. Pergunta-se, até quando ?Foto-Isabel Gomes da Silva
17 Novembro 2006
O meu quintal

Não ficou qualquer outro registo.
As cores de verão que quente me surpreendia, a rondar a porta do formigueiro. Contava--as uma a uma, mas às vezes já me falhava a sequência e desistia. Divertia-me, espreitar o que levavam agarrado ao corpo. Não percebia porque levavam coisas tão grandes que quase pareciam impossíveis. Os meus impossíveis também chegavam a ser pesados, embora não lhes visse o volume.
O triciclo também desapareceu. Até hoje foi o que mais gostei de conduzir. No meu quintal não havia auto-estradas mas os caminhos eram muitos e eu fazia quilómetros à volta dos canteiros e dos cheiros.
A relva era inundada de roupa com frequência. O que eu gostava de lhe encontrar o macio debaixo dos pés descalços…
A mesa de pedra em tamanho XL ficava em frente, e as molas da roupa enfeitavam-lhe o espaço.
Os armários de garrafas verdes vazias à espera de vinho inventado já no Outono e os passos arrastados do mais velho do clã, que em rabugice desfiava ordens de protecção das suas obras. Naquele quintal tudo lhe pertencia mas eu acreditava que não. Apesar de ser sua a arte era meu, o domínio. Não havia um centímetro que não conhecesse… mesmo o que pertencia aos que voavam. Acompanhei andorinhas em voo rasante e seguia com elas até ver as estrelas perto do cabelo. Um dia ficou lá presa a minha trança e até hoje não a consegui recuperar.
Debaixo do telheiro havia uma capoeira de coelhos. Um dia apercebi-me que cada vez havia mais. Na mais pura das inocências chamei-lhe mistério. Apareciam sem eu saber como. Mistério para mim era uma palavra mágica. Chamava isso a tudo o que ia para além do meu entendimento, e ficava resolvida a minha ignorância. Esse conceito aplicado ao presente simplificaria todas as minhas convicções / limitações…
O cavalo de madeira tinha uma campainha que tocava com a sequência do galope. Era a minha irmã que costumava galopar com mais força. Quando chegou ao quintal, já eu preferia pedalar, de modo que nunca lhe liguei muito. Preferia movimento naquele espaço, para que não o visse como era realmente…
É íntimo cada som e cada imagem que reservo. É aí que encontro a minha infância.
De vez em quando, ainda acompanho os voos rasantes… mas agora já não há trança para prender nas estrelas…
Nesses que ainda faço, estão algumas estradas desenhadas, mas há um caminho sem limites. O pensamento não conhece fronteiras, nem cor, nem credos. É sempre libertação. Mesmo que o corpo se prenda nas teias de um mundo concebido em ferro, é volátil o pensamento e foge de limites que o corpo desenha. Já longe do meu quintal, costumo gritar alto…
Mas quando abandonar as asas que me transportam, direi apenas… “até breve…”
E se eu quiser acrescentar um som às cores de verão de minhas memórias, ouvirei ao fundo, entre um mar e uma montanha que guardo no meu peito, uma trompete e uma guitarra portuguesa…no meu quintal…
Texto – Manuela Lamy
Foto – Alba Luna
11 Novembro 2006
Claridade

Clareou.
Vieram pombas e sol,
E de mistura com o sonho
Posou tudo num telhado...
Eu destas grades a ver
Desconfiado
Depois
Uma rapariga loura
(era loura)
num mirante
estendeu roupa num cordel:
roupa branca, remendada
que se via
que era de gente lavada,
e só por isso aquecia...
E não foi preciso mais:
Logo a alma
Clareou por sua vez.
Logo o coração parado
Bateu a grande pancada
Da vida com sol e pombas
E roupa branca, lavada.
Poema Miguel Torga
Foto José Varela
04 Novembro 2006
Pedro Barroso

Foi há quinze anos que ouvi pela primeira vez e ao vivo Pedro Barroso. Considerado talvez, o último dos trovadores da música popular portuguesa é um homem de valores e causas, abordando sempre nas suas canções temas tão importantes como o Amor a Solidariedade ou a História. Foi distinguido no ano de 1994 pela Casa do Ribatejo com o título de “Ribatejano Ilustre”.
Nessa noite a acompanhar Pedro Barroso, um outro grande músico esteve presente no palco do São Luis, chama-se Sérgio Mestre, era flautista e felizmente com eles




















































